As personagens femininas nas obras de Machado de Assis são
representações do Rio de Janeiro do fim do século XIX e início do XX numa
sociedade burguesa. Suas mulheres vivenciam temas sobre amores, infidelidade,
casamento, maternidade que configuram a aparente discrepância sobre o modelo e
estereótipos determinados e cobrados pela Igreja e Estado como os padrões de
comportamentos aceitos pela sociedade brasileira da época (BOSI, 2007, p.11).
Pretendendo fugir da realidade que buscava calar essas mulheres a modelos pré-determinados, a obra de Machado revela a capacidade feminina de “inverter” as
condições da realidade excludente, dotando suas heroínas de atitudes que revelam
uma mulher que busca traçar sua própria história apoiada na sua realidade, e não
em modelos determinados sob o discurso masculino.
A obra Memorial de Aires (2013) é um objeto de análise privilegiado por
retratar um momento de importantes mudanças na sociedade brasileira. Em uma
perspectiva sociológica e através dos Estudos Culturais
contemporâneos, há uma visão das relações sociais que permeiam algumas
personagens femininas. Seu valor como documento coloca-o como um romance de
cunho social por descortinar os conflitos que surgiram devido as grandes
transformações sociais advindas dos interesses de uma nova moral burguesa.
Através das personagens femininas Rita, Fidélia e D. Carmo, notamos como a
mulher brasileira do século XIX estava resignada a família e a procriação. Porque a
sociedade brasileira era determinada por uma regência patriarcal.
A Teoria Queer ajuda a compreender como as relações de poder e
hierarquia determinam a invisibilidade de indivíduos excludentes na sociedade.
Compreendendo como as estruturas das relações de poder na sociedade segregam-se
as questões de gênero e sexualidade. Através de suas representações
entende-se como os dispositivos históricos de poder configuram o sexo a padrões
de utilidade e regulação social (FOUCAULT, 2011,85). E como os conceitos de sexo,
gênero e sexualidade elaboram-se a partir de um novo prisma através dos estudos
teóricos de Judith Butler.

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